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[Coluna] Desacelerar #2 – Para Além da Música, por Jan Balanco

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Dedicada a D.H.

Eram 6h da manhã quando recebi a notícia, por acaso, checando o Facebook. Eu havia acabado de enviar uma foto para Manu e Vitor com mais uma boa memória da madrugada de sexta para sábado, em que fomos comemorar o aniversário de David Bowie em uma festa que a Frá organizou e contou com a presença de algumas centenas de pessoas desconhecidas reunidas em seu nome. Uma das melhores noites de minha vida, que só terminou às 8h do dia seguinte, e que não teria acontecido se não fosse por ele. Marccela lamentou não morar em São Paulo para ir à festa, em silêncio pensei: “Que bom que eu moro em São Paulo”. Senti que o ano de 2016 havia começado de verdade.

Tarcísio havia acabado de fazer uma publicação que me deixou confuso, e Spencer outra no mesmo tom. “Não é possível que seja isso mesmo que estou pensando… Eles ainda devem estar falando de Bowie por causa do aniversário de 2 dias atrás… Ou fazendo alguma brincadeira… Mas esse tom soa triste demais, tem algo errado aqui…”. Acessei a página oficial e o meu temor se confirmou em uma nota curta sem espaço para dúvidas, publicada há menos de duas horas. Não era possível, 48h antes pessoas em todo mundo celebravam o seu 69º ano e o lançamento de seu mais novo disco, e agora isto?

Pensei em todos amores, alegrias, tristezas, angústias, dúvidas, viagens, conversas, abraços e sorrisos em minha vida que tiveram suas músicas como trilha sonora. Pensei em todos os momentos que fiz pessoas dançarem e cantarem suas canções em pistas de dança Brasil afora. Neste último fim de semana cantarolando baixinho suas músicas pelas ruas com meus melhores amigos. E agora isto.

Voltei para cama, acordei Letícia, relatei o acontecido, ela assim como eu relutou a acreditar e precisou ler a nota oficial para crer. Apertou forte a minha mão. Levantei, fui à sala escutar a voz de Bowie nos fones de ouvido. Ela foi me buscar e me levou de volta para o quarto: “Vem ficar comigo”. Deitamos e conversamos durante horas. Em torno de tantos assuntos, um tema central: Se permitir ser quem você é de verdade.

David Bowie nos deixou um legado sonoro e visual incomensurável. Único, por isso incomparável. Mas neste fim de semana percebi que a maior herança que ele nos deixou foi ter vivido intensamente de maneira verdadeira consigo mesmo. Bowie mostrou – e continuará a mostrar – a tantas gerações que nós podemos ser quem nós somos do jeito que realmente somos, ou do jeito que quisermos ser, por mais estranho que sejamos. Que não precisamos temer, nem esperar pela aprovação dos outros, que não devemos nos calar ou nos esconder. Que pelo curto período de uma vida podemos ser heróis, nossos próprios heróis.

*

Bowie foi um raro caso de artista de grande renome que soube permanecer identificando e apoiando música de qualidade nas novas gerações, enquanto a maioria dos medalhões de sua geração cultiva uma preguiçosa relação apenas com artistas que lhe são introduzidos pelo mainstream que habitam. Podemos citar como mais emblemático sua relação com o Arcade Fire, e mais recente com Donny McCaslin. Uma de minhas preferidas é o vocal que emprestou a “Province”, do TV On the Radio, e que a meu ver pode ter uma interpretação propícia para este momento.

Province
(Malone/Sitek)

Suddenly, all your history’s ablaze
Try to breathe, as the world disintegrates
Just like autumn leaves, we’re in for change
Holding tenderly to what remains
And all your memories, are as precious as gold
And all the honey, and the fire which you’ve stole
Have you running through all your red-cheeked days
Shaking loose these souls, from their sacred hiding space

Hold your heart courageously
As we walk into this dark place
Stand steadfast erect and see
That love is the province of the brave

Pushed under this expanse of bursting stars
Let this burning brightly illuminate the where we are
In this hollow that lovers’ voices occupy
Let it follow that we let it free, let it fly

Breaking open the walls of this cage
Intoxicated, oh so amazed
Much like falcons tumbling from the heights at play
Conjoined, talons engaged

Hold these hearts courageously
As we walk into this dark place
Stand steadfast beside me and see
That love is the province of the brave

 

Jan Balanco – @janbalanco

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3 Respostas para “[Coluna] Desacelerar #2 – Para Além da Música, por Jan Balanco

  1. Davi Bowie estará sempre presente através da sua música e no coração dos fãs. somlivros.weebly.com

  2. Um ícone da música como ele nunca sai de cena. Ele estará vivo tocando a sua música ao longo do tempo.

  3. Um astro da música permanece no tempo com a sua história e a sua música.

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