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[Coluna] Um Sulco de Vida #2, por Natã Vieira

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Faixa A1: É época de mudança de casa! Um ponto de inflexão total, dependendo de como as coisas se desenvolvem. Se você mudar para uma casa maior, com mais quartos ou uma sala maior, tudo tende a dar certo, mas se você estiver mudando pra um apartamento menor, a coisa começa a ficar bem mais complicada. Dividindo o espaço com outras pessoas é importante ter sensibilidade para que não ocorram grandes conflitos.

De qualquer forma é um momento bem oportuno para pensar sobre esse hábito de colecionar coisas.

Você se pergunta algumas vezes onde tudo aquilo começou, quando começou com essa coisa de amar, comprar, ouvir, tocar e apreciar esses objetos tão estranhos a outros lares e cavernas (em dias tão digitais), mesmo com a crescente venda de discos de vinil.

Os apartamentos, menores, de hoje são pensados para um público padrão, com salas que caibam apenas uma TV, um sofá e uma mesa de jantar. Se você aprecia livros, filmes e música e não se contenta apenas com formatos digitais e pretende ou já tem uma, mesmo que pequena, coleção de cada um destes meios, se prepare para fazer sua capacidade cognitiva e inventiva dar um salto produtivo sem igual, pois terá que se virar para acomodar tudo neste novo espaço, sem que ao final sua casa pareça um arquivo no qual você habita.

Mas, mesmo que seja um lugar maior, com mais espaço para estantes e aparelhos, tudo pode virar uma tragédia. Como? A resposta vem na equação que você já deve conhecer: muito espaço + colecionismo = acúmulo desnecessário

Por isso, mesmo conseguindo me mudar para um espaço maior, resolvi refazer essa avaliação, e fiz no apê anterior mesmo, menor e com mais necessidade de espaço. Essa necessidade faz você reavaliar prioridades em sua coleção e fundamentalmente o destino (objetivo) que você dará a ela.

Nunca gostei de coleções que se concentram só em raridades. Minha coleção é minha biblioteca musical. Vai além dos discos mais raros e difíceis que tenho. Nela eu pesquiso, faço conexões entre artistas e estilos. Me importa pouco o valor financeiro dela, importa muito mais o valor cultural.

Veja bem! Eu sempre morei em casas e apartamentos com um bom espaço, por isso, nunca tive grandes problemas de alocação dos meus artefatos sonoros e literários, de tal modo que minha coleção reflete bem esses belos dias. Pude construí-la com algumas especificidades como, por exemplo, uma parte dedicada à música nordestina ou ainda uma coleção de discos 78 rpm, voltada ao samba, música caipira e nordestina..

Nesses casos, e em outros tantos ainda, há momentos em que parte de sua coleção não reflete exatamente o que você mais gosta ou aprecia, mas representa, fundamentalmente, momentos diferentes de sua vida. As perguntas e respostas a estes momentos são:

– Porque comprei este disco? – Ah claro! Pela capa!!

– Porque eu tenho 5 discos de um artista, se gosto apenas de dois?

– E aquele disco de efeitos sonoros da BBC?

Neste sentido, é preciso encontrar um equilíbrio entre colecionar e comprar. A possibilidade de compras online de hoje ajudam muito, pesquisar antes e até ouvir do que se trata aquele disco e artista desconhecido por você, já economiza tempo, dinheiro e espaço. Mas, nada substitui o prazer de comprar um disco num sebo, sem muita informação e acabar adorando a arte feita ali. Nunca deixar de arriscar!

Pois bem! Chegou o grande dia (na verdade durou umas 2 semanas), olhei tudo e fui separando. Ao final, cerca de 150 discos tiveram seus destinos garantidos. Em um encontro com alguns amigos aqui do VeV, (sempre que podemos fazemos esses encontros) foi um grande prazer ver os discos ganhando novos donos, meus amigos de paixão comum!

Mas e vocês? Suas coleções refletem o seu gosto, ou tem coisa ai que não devia estar?

Faixa A2: Que fique bem claro que um dia comprarei um apê bem maior e terei 30 mil discos!!!

Faixa B1: Esse post foi escrito ao som de um desses discos que comprei no escuro e hoje sou fascinado!! Uma outra hora eu conto a história dessa galerinha louca aqui! Curte ai! (Não, eu não sou cristão…)

Meninos de Deus – Aperte… Não Sacuda (1974)

Faixa B2: Estou lendo “O Jogador Numero 1” de Ernest Cline. E garanto que se você nasceu depois de 1978 este livro fará um sentido absurdo para você.

um-sulco-de-vida-b3A forma de pensar, de relacionar as informações que acumulamos nesse período, que o autor consegue trazer é algo lindo de ser lido. O componente “RPGzistico”, o culto à história e a preservação da informação, a importância que a tecnologia e a não tecnologia devem ter na nossa vida. É de babar. Ainda estou pela metade, meu segundo livro lido inteiramente em tablet (o primeiro foi o Guia do Mochileiro das Galáxias, um paradoxo incrível lê-lo num tablet), o que me faz levar mais tempo que o normal.

Andei lendo por ai que o Spielberg vai dirigir o filme do livro, o cara certo na minha opinião!

Faixa B3: Vi Saiu esses dias no Dangerous Minds, que chupou do Boing Boing, que também puxou de algum Tumblr, um post sobre as artes que todos nós fazíamos nas fitas cassetes. Maravilhosas as fotos e me fizeram recordar em um período em que prestávamos atenção na música, gastando umas horinhas naquilo: gravando, separando as faixas, fazendo as capinhas para os K7. Deem uma olhada nas fotos e me digam se não faziam isso também. Tem mais aqui.

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Faixa B4: Finalmente publiquei esse post, inspirado na iniciativa Jan (tipo os Avengers), se não viu ainda confira, pois é preciso Desacelerar! Influenciado também por ele, revogo o que disse na  coluna Um Sulco de Vida #1, ou seja, também não vou definir periodicidade da coluna, não agora pelo menos.

Vida longa e próspera!!

Fé cega e pé atrás!

@natavieira

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2 Respostas para “[Coluna] Um Sulco de Vida #2, por Natã Vieira

  1. sinistersaladmusikal

    Eu acabo de receber uma nova estante aqui em casa, que vai abrigar os álbuns de música brasileira da minha coleção. Deve ter capacidade para uns 2500 vinis. Já tenho um quarto abarrotado de discos e ainda busco muita coisa nos garimpos da vida. Ou seja, não pretendo parar de comprar música. Dei uma reorganizada nos elepês e os distribuí melhor nas prateleiras, abrindo espaço para guardar novas aquisições. Acho que nos próximos dois anos, não terei problemas quanto a isso. Mas é o tipo de coleção que ocupa um espaço considerável, e eu ainda tenho CDs, DVDs, revistas e gibis. Algo me diz que, futuramente, vou ter que montar prateleiras no banheiro, hehe. E essas fitas cassetes eu tenho uma porrada delas, exatamente como mostra a foto, com as capinhas e os nomes das bandas escritas com canetas coloridas. Bons tempos!

    • POis é Marco, quando a coleção vai aumentando temos que nos organizar de alguma forma, ou com mais estante ou com um maior apuro. Mas é inexoravel que as coleções só tedem a aumentar, a minha mesmo ganha novos a toda semana. Ainda tem dvd, cd, livro, quadrinhos hahaha. Sobre as fitas, me sinto mal por não tê-las conservado. Castiga!

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