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[Review] Maria Bethânia – Oásis (2012) Polysom/Biscoito Fino


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Desfrutando de um oásis
Imagino que morar sozinho, deve ser o sonho de
quase todo rapaz latino americano (sem parentes importantes e tal), e finalmente alcançar aquela tão sonhada “liberdade”, de poder fazer farras com os amigos e afins.Bem, eu com certeza não estaria fora desta lista! A grande diferença eram as motivações por trás deste tão sonhado objetivo. Mas citarei apenas algumas, dentre tantas dessas motivações (até porque, vocês seriam obrigados a passarem um certo tempo lendo este texto), as que tem mais a ver com os visitantes deste blog, acredito.

Ser interrompido nos momentos em que mergulhava com os ouvidos nas minhas audições vinílicas, era algo que me chateava muito. Sonhava em poder sentar-me e apreciar os meus discos sem maiores interrupções, e é claro, sem incomodar as irmãs mais novas e os pais no quarto ao lado. E ainda aquela faxina no dia folga, regada a várias fitas cassete, contendo músicas escolhidas a dedo com todo ar de produtor musical?! E a reunião dos amigos vinílicos, com direito a boas audições, conversas, cervejas e petiscos?!

Pois então, foquei neste objetivo e deixei que as motivações me ajudassem a guinar o projeto. Sim, aqui estou, escrevendo do meu novo apê, tranquilamente enquanto escuto um bom disco para relaxar do pique do trabalho.

Mas e qual poderia ser este disco? – Ah, da Maria Bethânia, é claro! Da Maria com seu novo “Oásis”.

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Desde o momento em que soube que o seu novo álbum seria lançado em LP, aguardei ansiosamente por sua chegada as lojas. Até que no final de dezembro, em uma breve visita ao shopping com o amigo Tony Rossett, entramos na Livraria Cultura e eu, claro,  saí com a nova aquisição debaixo do braço.

Em casa, pacientemente, parei para observar o trabalho gráfico, tanto da capa, quanto do seu encarte interno, que contem algumas fotos e as letras do disco. O encarte interno também serve para dar guarida ao LP, agora com plástico interno compondo o interior do encarte!Na capa, é possível observar que há um certo estouro de imagem. Provavelmente por não ter sido concebida para contemplar uma capa de LP de 12”.

A qualidade do encarte interno ficou muito boa. Um envelope rígido e ao contrário da capa, não existem estouros de imagens, até porque, elas estão em tamanho pequeno. As letras das músicas contrastam bem com os background’s, facilitando a leitura das mesmas. O plástico interno foi com certeza, uma das grandes melhorias implementadas pela Polysom em seus lançamentos.

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Chegamos finalmente ao reluzente LP. Apesar de não ser 180g, possui uma boa gramatura, possibilitando um vinil relativamente rígido e de sulcos mais profundos.Não observei manchas de desmoldante, como no LP da Fernanda Takai, o primeiro disco que comprei da Polysom após sua reabertura.

Coloquei o disco para tocar e de cara me impressionei com a pureza e qualidade do som do bandolim que abre a faixa ‘Lágrima’. Daí em diante foi puro deleite, ‘O velho Francisco’, chega a arrepiar com o violão “batido” do Lenine. A faixa ‘Vive’, também acompanhada pelo violão do Djavan, é lindíssima. Faz com que você “desencane” totalmente e viaje na melodia.

Encurtando o trajeto, passamos para o  lado (B), que é aberto por um ‘Fado’ esplêndido levado pelo Jaime Alem. E eu não poderia deixar de falar, é claro, da faixa ‘Carta de Amor’, um dos pontos mais fortes do disco. Um texto de autoria da Bethânia musicado em forma de samba, acompanhado por tambores, atabaques e aquele velho som da faca raspada no prato, um verdadeiro convite de viajem ao recôncavo baiano.

Me agradei muito com a qualidade da prensagem deste disco, que apesar de possuir matriz digital, não soa como um CD, provando que tudo começa ali, na masterização.O disco é silêncioso, possui um som limpo, bem equilibrado, encorpado, puro mesmo! Uma obra digna de Maria Bethânia. Para quem aprecia o seu trabalho, vale muito a pena conferir “Oásis” (2012) em LP. Tenho certeza de que não irá decepcionar os amantes e ouvintes dos discos de vinil e será uma grata surpresa para os neófitos no mundo do vinil.Bem, e quanto aos pormenores de se morar sozinho, peço licença ao Charles Gavin para dizer: Aí, já é outra história!

Até a próxima!

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