Galeria

[Artigo] Cápsulas e agulhas: Um pequeno guia – Parte 1

Olá a todos!!! Começamos aqui uma série de posts onde tentaremos traçar um pouco do histórico do surgimento e desenvolvimento de um item essencial nas nossa experiência com os discos, falaremos das cápsulas e agulhas. Abordaremos desde o seu surgimento até as cápsulas mais atuais, buscando analisar e dar dicas sobre este equipamento que compõe qualquer setup de um vinyl addict. Vamos lá

Parte 1

Antes de começar, acho interessante tocar em um ponto que me fez pensar muito. Não sei se só a mim com meu perfeccionismo, ou se alguém já se perguntou a mesma coisa: por que a cápsula fonográfica ou cápsula fonocaptora se chama cápsula?

Depois de muito pesquisar, e não achar absolutamente nada de histórico na internet, achei legal falar disso, começando pelo fator histórico falando um pouco de fonógrafos, e por último das cápsulas e agulhas na forma como as conhecemos hoje.

Então, por que cápsula? A resposta mais provável é a mais fácil de deduzir. Quando a gente vê o fonógrafo de Edison, ou um gramofone, a ponteira do braço, onde se aloja o diafragma, tem o formato de uma cápsula, meio elipse, meio achatada, ovalizada. Muito provavelmente essa é a resposta que não achei em nenhum site de colecionador, de manutenção, e tantos outros que pesquisei. Ela também é abordada em alguns sites como cápsula acústica, já que nos gramofones ela é puramente acústica.

Em 24 de Abril de 1878 é fundada a empresa Edison Speaking Phonograph Company, onde eram fabricados fonógrafos acústicos, e posteriormente com o advento da eletricidade e motores elétricos, iniciou-se a fabricação dos fonógrafos acústicos com motores elétricos.

Seu princípio de funcionamento é totalmente acústico e aqui aparece a primeira diferença entre fonógrafo e gramofone: Nos fonógrafos a gravação dos sons nos discos se dá verticalmente, a agulha faz a leitura da profundidade do sulco, vibrando para cima e para baixo. No gramofone a agulha lê o sulco horizontalmente (como em um zigue-zague), deslocando para as laterais. Essa é a forma adotada até os dias de hoje na gravação de todos os discos. Em relação ao funcionamento eles são idênticos, tanto os gramofones quanto os fonógrafos.

A agulha lê o disco e transmite a vibração para a cápsula acústica. A agulha, que é de aço, é diretamente ligada a um diafragma, que vai vibrar de forma idêntica a agulha. A vibração do diafragma por sua vez, empurra uma camada de ar para dentro do braço, que é oco, e essa camada de ar leva o som junto, na forma de deslocamento de ar. Um pouco a frente, encontra-se o cone, onde o som será amplificado e levado ao ambiente externo. Abaixo, o link mostra um gramofone funcionando:

Acontece que o som dos gramofones era de baixo volume, suficiente para uma sala com algumas pessoas, mas quando havia necessidade de uma festa para muitas pessoas, como fazer para amplificar aquele som? Lembremos que havia ainda pouca tecnologia eletrônica e não haviam sido inventadas as cápsulas fonocaptoras ou transdutoras, sendo então a mesma cápsula acústica. A resposta a questão era obvia: o ar.

Assim a Victor lançou em 1906, o Auxetophone, um gramofone amplificado, que era basicamente um compressor de ar que empurrava o ar em alta pressão contra o diafragma e aí o ar era empurrado até a corneta, ou cone de saída e com um volume muito alto, suficiente para um salão de festas cheio.

Veja abaixo o vídeo de um Auxetophone de epôca.

O motor elétrico era apenas no compressor de ar, o prato ainda usava motor de corda. Modelos posteriores usavam motores elétricos tanto no compressor de ar, como também no prato. Com o motor do compressor desligado, funcionava igual um gramofone comum. Quando era ligado o compressor de ar, este multiplicava em cerca de 10 vezes o volume do som captado pela cápsula.

Na parte 2 desta série, falaremos das cápsulas e agulhas fonocaptoras. Continuem acompanhando.

Anúncios

3 Respostas para “[Artigo] Cápsulas e agulhas: Um pequeno guia – Parte 1

  1. Muito bom, ja varios videos na internet em que o pessoal faz suas proprias capsulas para seus gramofones caseiros, minha duvida era sobre como fabricar, ja que o artigo me deu uma ideia de como funciona.Obrigado! Ah, se tiver um tutorial tlvz sobre a fabricação caseira…agradeceria, ou alguma informação qualquer que seja util nesse sentido. email: idjarrury@hotmail.com

    • Capsula de gramofone usa o princípio da ressonancia. A agulha faz uma membrana vibrar e essa vibração é amplificada pela corneta. Infelizmente nao tenho tutorial e nunca vi pela internet também.

  2. Estou namorando um gramofone a um tempo já.
    quero comprar um mas queria saber se é possivel trocar o braço e diafragma dos gramofones por modelos diferentes.
    achei um vintage muito interessante na internet, porem o braço é muito normal, e eu queria um com um visual mais antigo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s